Dessa vez, o intuito das nossas mini-férias de junho era fazer uma viagem que envolvesse muita praia, mas que não ficasse muito longe da Alemanha. Até porque sempre procuramos conhecer países novos, desde que o custo seja relativamente acessível.
A Albânia já estava no meu radar havia alguns anos. Sempre ouvi as recomendações de colegas que nasceram lá e falavam com brilho nos olhos sobre sua terra natal. Quando comecei a pesquisar com mais calma, percebi que as praias albanesas figuravam entre as mais belas da Europa, frequentemente chamadas de “Caribe Europeu”, especialmente quando o assunto é Ksamil, a joia do litoral jônico.
No quesito belezas naturais, não restam dúvidas de que a Albânia é capaz de satisfazer as expectativas de toda a família. Além de reunir praias deslumbrantes, vilarejos históricos e montanhas cobertas de verde, há também uma história complexa, marcada por mais de 40 anos sob o regime comunista de Enver Hoxha (1944-1985), um período em que o país se isolou do mundo, proibiu a prática religiosa e perseguiu duramente qualquer voz dissidente. O passado sombrio deixou marcas ainda visíveis em alguns aspectos da economia e nos milhares de búnqueres espalhados pelo país.
Outro fator político importante a destacar é que a Albânia é candidata a entrar na União Europeia desde 2014. Em 2024, o país abriu oficialmente o primeiro cluster de negociações (“Fundamentals”, que inclui direitos fundamentais, sistema judicial etc.). Para a entrada definitiva na UE, são necessárias adaptações em áreas como política social, liberdade de imprensa, ainda sujeita a interferências políticas e falta de transparência (tema que já nos é familiar), transformação digital e combate à corrupção.
O governo albanês pretende estar preparado para tornar-se membro da União Europeia em 2030. Se isso se concretizar, certamente mudará não apenas a economia local, mas também a forma de fazer turismo por lá.
Mas antes de falar sobre o destino em si e suas belezas naturais, vamos às questões práticas de:
Por onde chegar
Para chegar à Albânia, o caminho mais prático é buscar voos com destino a Tirana, a capital. Há opções low cost saindo de Memmingen, ideal para quem está na região do Bodensee na Alemanha, nesse caso, operadas pela Wizz Air, que, na minha opinião, é bem mais descomplicada que a Ryanair, com a qual viajei algumas vezes.
Vale frisar, porém, que ao optar por companhias low cost é fundamental prestar atenção às regras de bagagem. Qualquer descuido pode resultar em taxas extras, que muitas vezes acabam saindo mais caras que a própria passagem. Fique de olho no tamanho e no peso da mala antes do embarque.
Para quem busca as praias albanesas, também é possível voar até Corfu, na Grécia, e de lá reservar um ferry que leva menos de uma hora até a cidade de Saranda, na Albânia. Companhias como Finikas Lines, Ionian Seaways e Albania Luxury Ferries fazem o percurso entre os dois países. As tarifas variam conforme a velocidade do ferry e a temporada, mas há opções a partir de €15 por pessoa e por trecho.
Mais informações em: www.ionianseaways.com
Como estávamos hospedados na Albânia e queríamos aproveitar um dia para conhecer Corfu, optamos por um passeio completo, que incluía o transporte pela ilha e acompanhamento de um guia local. Custou €70 por pessoa (junho de 2025). Comprei pelo booking.com 
Transporte
Este talvez tenha sido o maior desafio da viagem e ele começou ainda antes do embarque! Não tínhamos certeza do que iríamos encontrar ao chegar lá.
Pois bem, optamos pelo transporte público, tanto para apreciar o trajeto quanto para evitar contratempos, já que viajaríamos com alguém que conhecia o caminho: o motorista do ônibus.
Deixo aqui alguns pontos que podem te ajudar a planejar sua viagem, considerando o perfil da sua família ou grupo:
Ônibus do aeroporto para o centro de Tirana
Ao sair do aeroporto, esperávamos encontrar uma parada bem sinalizada, com horários de saída indicados, mas não foi bem assim. Logo na saída, há uma aglomeração de vans e ônibus, e o jeito é começar a perguntar qual deles vai para o centro da cidade.
Os motoristas, no entanto, são bastante solícitos: ajudam uns aos outros para garantir que todos os passageiros encontrem o veículo certo. Alguns ônibus têm a rota indicada no para-brisa, mas nem todos, então vale confirmar antes de embarcar.
Entramos no ônibus com as malas e encontramos espaço para acomodá-las. O veículo tinha ar-condicionado, que é imprescindível já nessa época do ano, junho, quando fomos.
O transporte é feito pela Luna Travel, e você pode comprar as passagens antecipadamente no site www.luna.al/aeroport. Há uma pequena taxa extra para quem compra on-line €0,60 (valor em junho de 2025). O bilhete custa €4,00 + 0,60 por pessoa por trecho, e pode ser pago em euro ou lek. Dica: não há necessidade de comprar antecipadamente, os bilhetes também podem ser adquiridos diretamente com o motorista. Assim, dá para economizar alguns euros, especialmente se você estiver viajando com um grupo maior.

Transporte dentro de Tirana
Em Tirana, o transporte público funciona de forma razoável, mas é bem diferente de outras capitais europeias. As paradas nem sempre são claramente sinalizadas e os horários variam bastante.
Não há metrô, então o deslocamento é feito principalmente por ônibus urbanos e táxis. Os ônibus são simples, utilizados principalmente pelos locais, e costumam ser uma boa opção para quem quer economizar.
Os táxis também podem ser uma boa escolha para turistas e, no geral, têm um preço justo, desde que o valor seja acertado antes da corrida. Isso evita uma negociação desnecessária no momento em que você só quer curtir a viagem. Se não combinar o preço previamente, há boas chances de pagar bem mais caro.
Para fins comparativos, pagamos 15 € por um táxi do centro da cidade até o terminal South & North Bus Terminal Tirana, um trajeto de aproximadamente 20 minutos.
👉 Dica: para evitar grandes deslocamentos dentro da cidade, o ideal é se hospedar na região central, próxima ao Rinia Park, e explorar o centro histórico a pé. É uma área agradável, segura e com fácil acesso às principais atrações turísticas, cafés e restaurantes.
Transporte de Tirana para as praias de Ksamil e Saranda
Para viagens entre cidades, a Albânia oferece uma boa rede de ônibus intermunicipais e minivans chamadas “furgons”. Elas são a forma mais comum de deslocamento tanto para os locais quanto para turistas.
A principal diferença é que os ônibus costumam ter horários mais fixos e saídas regulares, enquanto as vans só partem quando estão cheias, o que pode atrasar um pouco a viagem. Por outro lado, os furgons são mais rápidos e diretos.
Nós optamos pelos ônibus, que eu já havia pesquisado previamente pelo site www.gjirafa.com, onde é possível consultar as companhias e todos os horários disponíveis. Não compramos os tickets antecipadamente para evitar preços mais altos, mas isso significou pagar em cash no local, já que não aceitavam cartão. Além disso, encontrar o guichê de vendas no meio da poeira do estacionamento, correndo entre ônibus, acabou sendo bem estressante. O atendimento também deixou a desejar.
Foi uma experiência pouco agradável, especialmente porque não existe uma rodoviária estruturada: os ônibus param onde conseguem, e os passageiros circulam entre poeira, sol, ônibus e vans. Não recomendaria esse trajeto para famílias. Outro ponto negativo é que o ônibus não tinha banheiro, e na rodoviária improvisada também não. O ar-condicionado mal funcionava. No fim, nos apertamos ali para encarar uma viagem de 4 a 5 horas até Saranda.
Por outro lado, a parte boa vem pelo caminho: as estradas principais estão em boas condições e, apesar de algumas curvas e subidas rumo ao sul e ao interior, o visual compensa. A viagem passa por paisagens montanhosas, rios e vilarejos típicos, um panorama autêntico e muito bonito da Albânia.




















